Capítulo de livro
DESIGUALDADE DE GÊNERO: UMA PERSPECTIVA SOBRE A MULHER NO SISTEMA CARCERÁRIO CAPIXABA
Autores
Emanuela Machado de Souza; JANICE GUSMÃO FERREIRA DE ANDRADE
Dados bibliográficos
Ano: 2023
Local de publicação: Atena Editora
ISSN/ISBN: 978-65-258-1826-9
Livro: Ciências humanas: percepção interdisciplinar da realidade social
Páginas: Cap. 3
Resumo
Em tempos de mudança política, especialmente quando se sai de períodos autoritários, há uma forte expectativa nos mais variados grupos sociais em torno do exercício da liberdade, ética e da responsabilidade científica. No caso da comunidade acadêmica brasileira, é incontestável que essa foi recentemente submetida, mais uma vez, a fortes pressões e policiamentos ideológicos. Em outras palavras, em um passado bastante recente, o ato questionador de se buscar por explicações e soluções científicas para questões socioculturais, ambientais e sanitárias foi tido como alvo de desqualificações e humilhações por parte do poder dominante. Diante dessas constatações, prevalecem dois questionamentos: qual a importância das Ciências Humanas e por que o conhecimento crítico que geram incomoda – a nível global – tanto as elites políticas e econômicas?
Quando uma mulher se movimenta e não abaixa a cabeça perante as desigualdades, sem nem perceber, defende todas as mulheres, isso movimenta a sociedade. Com esta essência humanizadora, o objeto da presente pesquisa é a mulher encarcerada custodiada no estado do Espírito Santo. Por meio de levantamento bibliográfico sobre os temas desigualdade de gênero, feminismo no Brasil e mulheres encarceradas, o material foi organizado e analisado, de forma qualitativa, sob o enfoque da teoria social crítica. O objetivo geral foi analisar, com base em estudos científicos sobre as mulheres encarceradas, a questão da desigualdade de gênero. Os resultados demonstram que a mulher na sociedade ainda encontra um preconceito sistêmico e estrutural, sobretudo a constatação da ausência de humanização e fragilidade na garantia dos direitos das cidadãs encarceradas. Em um panorama específico do cárcere feminino no Espírito Santo é possível evidenciar uma desigualdade de gênero ainda maior no que diz respeito às problemáticas enfrentadas pelas encarceradas. Conclui-se que para a minimização dos ataques aos direitos constitucionais e a garantia da cidadania da mulher, o caminho perpassa pelo aprimoramento do conhecimento científico, pela organização e luta social e pela defesa e efetivação dos preceitos democráticos